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domingo, 21 de maio de 2017

Corinthians conquista primeiros três pontos, em Salvador

Em jogo truncado, Corinthians vence Vitória, na Fonte Nova
O Corinthians confirmou sua condição de favorito e venceu o Vitória, na Fonte Nova, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. Sonolento, o time de Fábio Carille contou com o artilheiro Jô, que mandou a bola para o fundo das redes e deu ao Timão a primeira vitória na competição.

Autor de substituição que mudou o comportamento do Corinthians em campo, o técnico Fábio Carille ressaltou as qualidades de Marquinhos Gabriel, que passe que pôs Jô na cara do gol. “As chances claras que tivemos foi com a participação dele, que entrou bem em casa. Está trabalhando forte, está querendo e vai buscar seu espaço”, afirma Carille.

O atacante, que garantiu a vitória do Corinthians, destacou a inteligência Alvinegra para conquistar a triunfo, em Salvador. “A gente veio com o intuito de ganhar, e não só de arrancar empate. Tem que saber jogar com inteligência’, diz. “Ele vem ganhando confiança, vemos a evolução dele nos treinamentos e isso reflete nas partidas”, completa, elogiando Marquinhos Gabriel.

Após uma semana de preparação, o Timão tinha como objetivo recuperar os três pontos que perdeu na estreia do campeonato. No último sábado (13), a equipe paulista enfrentou a Chapecoense e empatou em 1 a 1. Ontem, porém, o desfecho foi diferente e o Corinthians voltou para a casa três pontos na bagagem.

O jogo

A primeira boa chance do Timão veio apenas aos 32 minutos, com Jô pela direita. O artilheiro fintou a marcação e fez com que o goleiro Fernando Miguel trabalhasse. Na sequência, Romero não conseguiu finalizar e cruzou para Rodriguinho, travado pela defesa.

Sem Pablo, que está machucado, o Corinthians não apresentou grandes problemas na defesa. Mas a zaga, certamente, vai ser dor de cabeça para Fábio Carille nas próximas rodadas. No segundo tempo, o paraguaio Balbuena sentiu dores na coxa direita e foi substituído por Leo Santos. O setor precisa de reforços urgentemente, e a diretoria já tem alguns nomes em vista.

Mesmo vencendo, o Timão mostrou dificuldade em transformar a posse de bola em infiltrações. Sem gols no primeiro tempo, os times voltaram para a segunda etapa com maior volume de jogo. Aos 7 minutos, Romero cruzou para Maycon, que completou para o gol, corretamente anulado.

O jogo seguia frio e morno, até que Jô resolveu a parada para o Corinthians aos 29 minutos do segundo tempo. Em passe de Marquinhos Gabriel, que saiu do banco de reservas minutos antes, o atacante finalizou rasteiro, por baixo das pernas de Fernando Miguel. Imobilizado e apático, o Vitória não reagiu e viu o Corinthians controlar a partida até o apito final.

Na próxima rodada, o Corinthians viaja a Goiânia para enfrentar o Atlético-GO, no dia 28, às 16h, no estádio Serra Dourada.

Nada mais, nada menos


Amigo torcedor, amigo secador, antes da partida contra o Vitória, pela segunda rodada do campeonato brasileiro, observo o seguinte: jornais, portais de notícia e articulistas guiados pelo óbvio ululante deixavam o Corinthians de lado.

É um dos piores crimes que se pode cometer. Corinthians é Corinthians, e sempre na história do Alvinegro foi assim. Gostamos de entrar em campo com desconfiança. Você deve estar se perguntando “este cronista é maluco”. Ser Corinthians, meu caro leitor, é beirar a loucura mesmo.

Haja amor! Bato na mesa do botequim, e digo: “não devemos menosprezar o Timão nesta temporada. Ninguém dava nada para a gente, e nos tornamos os reis de São Paulo”. Enchi meu copo de cerveja, ergui-o e frisei: “Este ano vamos incomodar”.

José Pedro da Silva, palmeirense fanático, disse que seu time brigará em todos os campeonatos disputar. Balancei a cabeça, pensando que eles têm vários jogadores famosos no elenco, o que pode ocasionar rachas internos e, meu amigo, caso isto aconteça, babaú bicampeonato brasileiro.

O sujeito não concordou, evidentemente. Acendi um cigarro, mudei o foco da conversa e berrei: “Vai Coríntia!” O boteco todo ficou olhando-me, mas eu não estava nem aí e continuei bebendo minha cerveja futebolística - ou melhor, Alvinegra.

Vamos ao que interessa: o time de Fábio Carille ganhou do Vitória, na Fonte Nova. Conquistamos os três pontos, mas ainda nosso time não está preparado para encarar a sequência desumana de jogos do Brasileirão. Será preciso algo mais.

Precisamos de pelo menos três jogadores “cascudos”. Clayson, da Ponte Preta, é um atleta que chega como aposta, jamais pode-se esperar dela jogadas mirabolantes. Ele é jovem, com gás, todavia irá jogar um campeonato brasileiro longe e desgastante.

O ideal seria trazer um atacante de rápido, que jogue pelos lados do campo. Romero, artilheiro da Arena, anota seus gols, mas, jamais, um time do tamanho do Corinthians tem de depender de um jogador - com todo respeito - como ele: prolixo, dislexo e displicente.

Romero é esforçado. Nada mais. Nada menos.    

sábado, 13 de maio de 2017

Atenção: não despreze o Corinthians

Amigo secador, amigo torcedor, começou o campeonato brasileiro. Agora, os corações baterão freneticamente quando seu time jogar, os clássicos terão sabor especial e a festa vai ser toda no embalo de berros apaixonados, pois “aqui é o País do futebol”, meu caro Wilson Simonal.

Os bares estão cheios, fanáticos expõem suas teses nas mesas e batem o martelo: “O Corinthians é perigoso”. Eu, corintiano de coração, fanático e pirado, balanço a cabeça e apenas concordo, nada mais justo.
O Timão, que no início da temporada era algo dos idiotas da objetividade, agora figura, de uma hora para outra, entre os favoritos para levantar a taça. Você deve estar se pensando: mas seu cronista, como o Corinthians é favorito? O time não joga, apenas se defende.

Explico. Historicamente, o Alvinegro optou por defender-se e sempre construiu defesas sólidas. Assim, ganhamos uma Libertadores, em 2012, e um brasileiro, um ano antes. “Sei lá, o futebol de vocês é feio demais”, afirma um amigo, no boteco, em partida contra a Universidad del Chile, na última quarta-feira (10).
Não. Vamos com calma. O leitor atento sabe que futebol, como dizia o doutor Sócrates, aquele mesmo da democracia corintiana, ídolo e xodó da Fiel, “não tem nada a ver com a lógica”. E o futebol bonito, aonde fica, você deve estar me perguntando, com a paciência esgotada?

No gramado, ora. Mas times que foram formados por operários, como o Timão, pouco – ou quase nada – preocupam-se com futebol vistoso. O Corinthians é a esperança de milhares de brasileiros, cuja vida é difícil, por causa da labuta diária. Então, sobra-lhes o futebol, esporte popular, que mexe com as emoções de cada um, de forma diferente.
Talvez você, caro torcedor que me acompanhou até aqui, não concorde com meu ponto de vista, e nem lhe obrigo a aceitar minhas humildes posições futebolísticas. Futebol não tem absolutamente nada a ver com lógica, talvez – e certamente – tem a ver com o drama rodrigueano, mas não com lógica.

A lógica, torcedor, deixe para intelectuais na academia. “Não, no futebol vence o melhor”, diz o amigo botequeiro. Beberico minha cerveja, bato na mesa e brado: “Não, futebol é como a vida, porque há o juiz ladrão, o jogador, que inexplicavelmente, manda a bola para fora, cara a cara com o goleiro, aos 45 do segundo tempo. Então, cara, futebol não é lógica, jamais”.
O sujeito, de uma hora para outra, ficou calado. Bebeu alguns tragos em sua cerveja, e começou a falar de mulher.

Porque futebol, como nos ensinou tio Nelson, não é, nem nunca será, lógico. Se a torcida, de uma hora para outra resolver ficar calada, sem xingamentos, acabou a verdadeira magia do esporte bretão.
Que comece o brasileirão, torcedor, e lembre-se: não despreze este Corinthians. Abraço.

domingo, 7 de maio de 2017

Tudo começou em 77

Amigo, como lembraremos o título do Corinthians daqui 40 anos? Ainda ouvimos, lemos e lembramos, sobretudo os mais velhos, como fora a conquista de 77. Se àquela época o Timão precisava sair da fila, hoje a história mudou: neste domingo (7), às 18 horas, foi a vitória da afirmação. A afirmação de que o Timão é maior que tudo e todos.

Nossos avós contam como foi o gol de Basílio, será que no futuro falaremos sobre o passe milimétrico de Jadson, que encontrou Romero livre dentro da área pontepretana? Na primeira tentativa, o atacante paraguaio errou. Mas no rebote, como fez o pé de anjo, em 77, ele não perdoou: 1 a 0. Colocamos a segunda mão na taça.

Autêntico 12° jogador, a Fiel estava com o grito preso na garganta, desde a vitória por 3 a 0, no Moises Lucarelli, na semana passada. Turrona, a Preta empatou aos 38 do segundo tempo. A  Macaca merecia anotar pelo menos um tento.

O Timão, torcedor Alvinegro, louco do bando, não sabe mais o que é ficar na fila, mas segue pulsando com seus cânticos de apoio e incentivo. Aproximadamente 46 mil pessoas foram à Arena, e transformaram-na no estádio que mais lotado do Brasil.

Nos últimos anos, mesmo quando os jogos eram sofríveis, habituamo-nos a ganhar e não toleramos ficar na fila, desesperado por conquistas.

O escudo corintiano é supremo, e brilha porque o Timão não é a quarta força de São Paulo, como alardeavam as mesas-redondas e cronistas tomados pelo óbvio ululante, desculpe Nelson!

Desacreditado, o Corinthians dominou o Paulista. Abalado por crise financeira, o Timão não contou com estrelas, tal qual o rival Palmeiras, que contratou meio mundo. A diretoria resolveu apostar em jovens promessas. No banco de reservas, um treinador inexperiente, pupilo de Tite e estudioso do esporte bretão.

Apesar de bater na trave mais uma vez, a Ponte Preta mostrou-se um rival honesto e integro. Daqui 40 anos, provavelmente, nem estremos usando tablets e smartphones, mas em algum ligar terá imagens da vitória deste domingo (7).

Aguerrido e bem organizado, o Corinthians campeão paulista jogou dentro de suas limitações. E, é claro, o Timão sabe muito bem quais são. Carrile, ainda, quebrou a hegemonia de Mano Menezes e 
Tite, que foram os últimos técnicos que conquistaram título com o Timão.

É bem provável, amigo corintiano e sofredor, que daqui 40 anos lembremos que a década de 2010 foi a década do nosso amado Alvinegro. Este Paulistão foi a nossa sétima conquista. Ganhamos tudo, desde o Estadual ao Mundial, passado pela tal da Libertadores.


Nada disso, contudo, seria possível sem 1977. Tudo começou com o gol de Basílio.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

40 anos após gol de Basílio, Timão e Macaca decidem título paulista

No Rio de Janeiro, o Fla-Flu nasceu “40 minutos antes do nada”, de acordo com Nelson Rodrigues.

Em São Paulo, a decisão do Paulista nasceu 40 anos depois do tudo.

“O sabor daquele gol do título é o mesmo para toda nação corintiana. É muito valorizado, já que o Corinthians não era campeão havia 23 anos”, afirma Basílio, autor do gol que deu o título paulista de 77 ao Timão.

Depois de 40 anos, Corinthians e Ponte Preta vão reviver aquela final. Mas o Timão não está em jejum de títulos como naquela época. E iniciou a competição desacreditado. Ganhou moral após vencer o Majestoso, na semifinal.

Já a Macaca chega à decisão de olho em conquista inédita. Time mais antigo da Série A, a Ponte Preta jamais ergueu troféu de relevância e bateu na trave algumas vezes, como em 77 e 79, em ambas as ocasiões jogou contra o Timão na final.

Principal ídolo da torcida pontepretana, Dica disse que seu time era muito mais técnico do que o Corinthians, em 77. “Em 1977, o Corinthians tinha mais brio e força física. O único diferencial era Palhinha. Já a Ponte Preta era mais técnica desde o sistema defensivo até o ofensivo e estava em um estágio superior”, afirma.

O Corinthians sagrou-se campeão após três jogos. Duas partidas foram vencidas pelo time dirigido por Oswaldo Brandão, mas a decisão tenha um herói e um vilão. Pelo lado corintiano, Basílio, que fez o autor do título aos 36 minutos do segundo tempo, do terceiro jogo.

Rui Rei, atacante da Ponte Preta, foi expulso aos 16 minutos da primeira etapa, após reclamar de falta. Quatro vezes depois, o jogador estava vestindo a camisa do Timão. A negociação, como era de se esperar, causou polêmica.

As partidas da final deverão ser realizadas nos dias 30 de abril e 7 de maio. Os locais ainda serão confirmados pela Federação Paulista de Futebol.

Camisa 77
Os corintianos estranharam quando Jadson foi anunciado: ele não invés de vestir a camisa 10, o maestro passou a atuar com a 77, em alusão ao título de 40 anos atrás.

Já que a camisa 8 de Basílio não vai ser representada por nenhum jogador do Corinthians na final, o jeito é confiar na 77, de Jadson. Mística e destino, para o corintiano, não costumam falhar.

domingo, 23 de abril de 2017

Eis que a quarta força está na final

Em jogo disputado, Corinthians elimina São Paulo e decide Paulistão
Tornou-se comum para o corintiano ver seu time ganhar do São Paulo. A última vez que aconteceu o inverso, no Paulistão, fora em 2000, quando o rival passou à decisão, eliminando o Corinthians. De lá para cá, é praticamente dever do alvinegro ganhar do São Paulo.

O Timão empatou com o Tricolor, por 1 a 1, e avançou para a decisão do Campeonato Paulista. Jô, que em cinco clássicos marcou cinco gols, abriu o placar na Arena, nos acréscimos da primeira etapa, após cobrança de falta de Jadson, que o achou livrinho da silva, na área.

Amigo torcedor, finalista do estadual, os idiotas da objetividade, contaminados pelo óbvio ululante, afirmavam que o Timão era a quarta força do Estado. Eis, bando de louco, que o inverso aconteceu: a quarta força está na decisão. “O Corinthians não é favorito”, diz Rodriguinho, após o jogo.

Exato. Não há por que colocar-se como favorito, pois a Macaca eliminou Santos e Palmeiras, ambos considerados as grandes equipes de São Paulo. Agora, o revés será tenso, típico confronto de xadrez.

Depois de 38 anos, o alvinegro enfrenta a Ponte Preta, na decisão do Estadual. Mas o torcedor saudosista, certamente, lembrará da épica decisão de 77, que tirara o Corinthians da seca de títulos que estava instalada no Parque São Jorge desde 1954.

Sobre a semifinal: Corintiano gosta de jogar contra o São Paulo. Neste domingo, aproximadamente 44 mil torcedores compareceram à Arena, fazendo do majestoso o clássico com maior média de público do estádio: 39.234.

Dentro de campo, o alvinegro desde o começo deixou claro sua proposta de jogo: dar a bola ao São Paulo e surpreendê-lo no contra-ataque. Aos 10 minutos, contudo, o zagueiro Pablo quase marcou de forma estranha – ele deu uma raspadinha na bola, de cabeça, mas a finalização passou tirando tinta do poste são-paulino.

Atrás no placar, os comandados de Rogério Ceni precisavam de três gols. Ceni, que põe o time irresponsavelmente para jogar na frente, sofreu com sua defesa. Equipe do Morumbi terá cerca de duas semanas até estrear no campeonato brasileiro. Tempo para Rogério Ceni preparar sua equipe.

Bem, os 45 minutos finais do majestoso começaram com a temperatura altíssima. Sim, o clássico estava equilibrado, mas o Corinthians emocionalmente tinha domínio da partida. O Tricolor punha a bola na área e, como diz Juca Kfouri, as torres gêmeas corintianas devolviam sem problemas.

No final, o assoprador de apito, banana, deixou de expulsar uns três jogadores. A paz, que reinava no primeiro tempo, deu espaço para olhares ríspidos, empurrões e acenos indelicados de ambos os lados.

Mais uma vez, deu Corinthians.